PAULISTANORIO

Jul 13

Entretenimento barato

Se tem algo que no Rio é barato, é uma coisa só: entretenimento. Não todo tipo, é claro, mas o que me apraz, sim.

Passear pela Lapa à noite, por exemplo, custa só o ônibus de ida e de volta e as cervejas tomadas. É só não enfiar o pé na jaca que, com menos de R$15,00, você passa uma noite divertida. Se quiser entrar em alguma casa para dançar, provavelmente vai gastar bem mais, contudo.

Segunda-feira da semana passada fui assistir a um recital de piano em Niterói: R$4,70 de ônibus, mais R$5,60 de barca, mais R$2,00 de “pele” (não resisto :P). O recital em si foi “0800”, totalizando também menos de R$15,00 por uma noite de segunda-feira bem bacana (já fica a dica, toda primeira segunda-feira do mês às 19h, no teatro municipal de Niterói! ;)).

Assistir a um concerto da OSB no Teatro Municipal custa R$18,00 a inteira, nas galerias. Os museus que não são gratuitos, tornam-se aos domingos. O site do [Viva Música!] (http://www.vivamusica.com.br/) tem uma agenda bem interessante de apresentações musicais baratas ou gratuitas.

Visitar a feira de São Cristóvão? R$2,00 + transporte. E ainda pega um show de forró. Ir à praia? Grátis. E com chances de pegar algum show acontecendo. Pedalar na lagoa? Grátis (considerando que você tenha uma bicicleta). Subir o morro da Urca pela trilha? Grátis.

Peças de teatro para os mais variados gostos a preços menores que R$20,00 (paguei R$5,00 em um musical a que assisti no CCBB).

May 30

Times de futebol

Uma das maiores tentações em quem se muda de São Paulo para o Rio é tentar achar “paralelos”, “equivalentes”. Até se acham alguns, mas uma hora isso falha.

Incrivelmente, eu percebi uma similaridade fantástica entre os principais times de futebol dos dois estados. Descrevê-los-ei abaixo, e você saberá quais são.

  1. Tem a maior torcida, e geralmente joga no estádio estatal, porque o seu é pequeno demais para jogos importantes. Os adversários insinuam que o time é de marginais, favelados e bandidos. Tem até uma piadinha de que todo mundo nasce torcedor desse time: careca, sem dente e analfabeto. Recentemente contratou uma ex-estrela da Seleção Brasileira atacada por estar acima do peso. Também é o time com maior rejeição. Ou você o ama, ou você o odeia. Grandes jogadores da Seleção Brasileira da década de 80 jogavam nesse clube.
  2. Localizado num bairro de classe média, é o time da high society, ou pelo menos é o que dizem. Tricolor, seus adversários insinuam que o time é dos maricas, dos fresquinhos. De fato, tem a torcida menos violenta dentre as grandes, o que não significa tanta coisa assim.
  3. É o time dos imigrantes. Tem um estádio, mas não usa tanto. É chamado, às vezes, pelo nome de um animal comestível. É grande rival do time de maior torcida. Recentemente, amargou a dor do rebaixamento, mas voltou à primeira divisão.
  4. É a menor torcida dentre os quatro grandes. Este time alvinegro é acusado de viver de passado. De fato, teve um passado glorioso com os maiores craques do Brasil. Não apenas isso, já foi “base” da Seleção Brasileira. Apesar das acusações de “passadismo”, foi o campeão estadual deste ano e teve um jogador do time convocado para a Copa do Mundo de 2010.
  5. É um time querido, talvez por não incomodar ninguém, mas torcedores de verdade…, só entre os mais velhos. Teve até um passado importante, mas hoje sofre nas divisões inferiores, e alguns times do interior obtêm mais sucesso que ele, hoje. Tem um estádio maior que a sua importância atual.

E aí, sacou quais são os dez times?

Apr 06

Avenida Atlântida

Enquanto o Rio se afunda em prejuizos e águas de chuvas, de maré e do choro daqueles que perderam casa, amigos e parentes, os políticos ficam com uma postura melhor do que o habitual, mas ainda assim ruim. Afirmam as falhas da cidade mas se preocupam em se eximir de culpabilidade e falar que é demagogia e oportunismo atacá-los agora. De outro lado, opositores fazem de fato demagogia e oportunismo, mas não podem ter o seu direito de criticar uma falha de gestão real tolhido.

Estando a morar no Rio por sequer 6 meses, não tenho muito a dizer. Estudei um pouco da história da cidade nos meus primeiros dias por aqui. Minha paixão pelo Rio merecia ser transformada em amor maduro, que conhece e estima, agora que a Cidade Maravilhosa se tornou a minha casa. Nisso, nutri uma admiração profunda pelo Carlos Lacerda, um homem que parecia amar de verdade o Rio de Janeiro e fez tudo o que pôde pela urbe fluminense. Ganhei do ex-prefeito César Maia, um homem público com muitos méritos e muitos deméritos, uma obra fantástica sobre o Lacerda governador, que ora leio com gosto.

Fecho o parêntese. É fato que um homem público como o Lacerda é coisa dificílima de se encontrar. Temos que agir de forma a tirar o melhor possível dos oportunistas que se revezam no trono governamental. Fazemo-lo criticando, apontando falhas, fazendo barulho, de forma que, por vergonha, crédito à própria reputação ou sobrevivência política, corrijam os políticos as falhas que cometem.

Neste momento eu tenho que bater numa tecla incrivelmente clichê. E eu odeio clichês.

Obras de estrutura são necessárias, mas não aparecem e não dão voto. O volume de chuvas foi irreal, é claro, mas o alagamento que vimos foi igualmente irreal. Os asfaltos das ruas são incrivelmente irregulares, não facilitando o escoamento. Há inúmeros bueiros entupidos, ou são insuficientes. As galerias pluviais não tem o tamanho necessário. Qualquer chuva mais forte e mais longa alaga certos pontos da cidade, que todos sabem quais são. Aqui em Botafogo, a Voluntários da Pátria vira um rio. A Praça da Bandeira, no centro, vira um lago. Todos sabem disso.

Botar a culpa no Paes? Justo. Merecem também a culpa César Maia e Conde, Marcelo Allencar, Jamil Haddad e Saturnino Braga. Todos os que governaram esta cidade e relegaram ao segundo plano o necessário invisível. Mas vivamos com as armas que temos. Critiquemos o incumbente. Não dá para ficar num sebastianismo carioca, esperando Carlos Lacerda num cavalo branco brandindo um plano para o Rio. Mas podemos esperar uma política mais digna. Torço por isso.

Enquanto isso, podemos restaurar a marchinha:

Rio de Janeiro,
cidade que nos seduz,
de dia falta água,
de noite falta luz

Feb 04

Metrô II - Rio x São Paulo

Moro no Rio, vim de São Paulo. Lá, os trens suburbanos, no horário de rush, tem intervalo entre trens de 4 minutos (menos que os 6 daqui do metrô). O Metrô, nas linhas de maior movimento, tem intervalo de 90 segundos. A integração entre metrô e trens suburbanos é fácil e gratuita. As integrações entre as linhas de metrô não são perfeitas, mas são adequadas. A linha 4, que gerará uma integração necessária e importantíssima com uma linha da CPTM, e um corte de caminho fenomenal para quem vai para a Paulista, fica pronta este ano, a linha 6 começa a ser construída este ano, fica pronta em 2014. Até lá, no Rio, só teremos de novo a estação Uruguai (que, aliás, está quase pronta).

O governo de São Paulo, que com muito sucesso privatizou empresas e concessionou rodovias (com pedágios excessivamente caros, é fato), mantém o Metrô e a CPTM (companhia de trens) como estatais. Não sei se são de capital misto ou não, mas são estatais.

Mas por que isso funciona?

O governo do estado de São Paulo se “estabilizou”. Temos um mesmo partido (apesar de grupos distintos) governando o estado há 15 anos (Covas assumiu em 1995, faleceu em 2001 dando lugar a Geraldo Alckmin que, reeleito em 2002, passou a faixa pra Serra em 2007 e, provavelmente, recebê-la-á de volta em 2011). O mesmo partido estando no poder, e sabendo que não o perderá fácil, consegue fazer planos de longo prazo, como o Metrô e o Rodoanel — é claro, agendando inaugurações importantes a cada 4 anos, justamente nos anos eleitorais.

Projetos de fôlego, demorados, são a última coisa que os governantes querem. Não dá para mostrar resultado, não ganha eleição. São Paulo é a exceção por causa dos resultados eleitorais assaz previsíveis naquelas plagas. No Brasil, tirando esse caso, e outros semelhantes de governos longos e “garantidos”, como os governos militares (que, apesar de despóticos e antidemocráticos, eram movidos por um verdadeiro amor à Pátria) e Vargas (nosso caudilho latinoamericano, melhor que os outros, mas ainda assim ditador), apenas meu ídolo político, Carlos Lacerda agiu de outra forma.

Mas o engraçado é que os governos democráticos quase nunca fazem essas coisas direito. Eu fiquei assustado, assoberbado, com o projeto da Estação Carioca. Que coisa fantástica! Foi jogado fora metade, o que faz com que ele se torne um elefante branco. Mas não é porque são democráticos, mas pelo contrário: são demagógicos. A próxima eleição é mais importante que o dever cívico para o qual foram eleitos.

Pensamos então que a privatização, ou concessão, possa mudar essa lógica. A concessionária quer aumentar seus lucros e, para isso, tem todo o interesse em aumentar a qualidade e a extensão do serviço: isso lhe daria mais passageiros, mais faturamento: mais lucro. Mas a simbiose entre poderes públicos e certas empresas é tão grande que uma entra na lógica da outra. Governos pensam nos lucros, empresas pensam na demagogia. É a sua parceria nefasta. Como diz o Reinaldo Azevedo: nas democracias, os negócios são feitos segundo as leis; no Brasil, as leis se fazem segundo os negócios.

Antes que eu me esqueça: tem uma estação de metrô do lado da minha casa. Pronta. Só falta decorar e construir o acesso, coisa que se faz em 6 meses. Está fechada e sem planos de abertura.

E la nave và. Mas o metrô, não.

Jan 27

Metrô Rio I - breves impressões

Ainda tenho muito a falar do Metrô. Mas vou contar minha experiência de ontem e a doutro dia.

Peguei o metrô na estação “Cardeal Arcoverde”, em Copacabana, às 17h40min, em direção à Glória. Depois de uns 4 minutos de espera (17h40min, no horário de pico, em São Paulo os trens passam a cada 90 segundos), chega uma composição aceitavelmente lotada.

Depois de atravessar um mar de gente próximo à porta, encontro canto confortável para ficar de pé próximo de um banco. Isto é: as pessoas ficam próximas à porta prejudicando a passagem. Mas pode ser por outro motivo: a próxima estação.

Chegamos a Botafogo, a estação mais quente (pun intended) dessa nova integração bizarra que passa pela oficina de manutenção do metrô (imaginem um túnel em construção e mandarem as pessoas cruzarem seus carros pelo corredor operacional. É mais ou menos isso que o Metrô Rio faz). Em Botafogo, uns 50% dos passageiros descem. Entra quantidade de pessoas semelhante. E o trem segue, tão cheio quanto entrou, rumo a Glória.

Chegando ao Flamengo, uma bela voz fala nos autofalantes: “estamos esperando a liberação do tráfego à frente”. Já viu engarrafamento de metrô? Pois é, no Rio acontece! E isso que o intervalo entre trens está, no trecho com duas linhas, em 3 minutos e meio. E engarrafa. Em São Paulo, mesmo nos momentos de intervalo de 90 segundos, é raro um trem parar. Já presenciei isso uma ou outra vez por lá, aqui no Rio parece que acontece todo dia. O Marcus Viníciusfalou disso, melhor do que eu.

Foi uma viagem relativamente tranquila, contudo. Melhor do que eu estava esperando. Contarei a outra viagem.

Outro dia, saí do trabalho, passei em casa, tomei um banho, e fui pegar o metrô em Botafogo, umas 18:30, em direção à Tijuca. Esperando o trem na plataforma, chega o para a Pavuna. Abrem-se ambas as portas do trem, e gente, dos dois lados entra correndo para pegar um lugar sentado. Lembrei-me da brincadeira da “dança das cadeiras” que eu jogava quando eu era criança, mas feito por adultos: senhoras gordinhas, homens feitos, todos correndo para conseguir ficar sentados.

Depois de uns 3 minutos, chega o trem para a Tijuca. Depois de sair um monte de pessoas, por ambos os lados do trem, entro com relativa tranquilidade (só precisei dar duas cotoveladas; pra quem já pegou trem 6 da manhã em Santo André isso é super light).

Enfim, as experiências não foram tão ruins. Mas notei duas coisas: desorganização total da concessionária Metrô Rio (e no meu próximo post a respeito vou falar de uma solução muito simples para a estação Botafogo) e falta de noção do povo, que não facilita a vida dos demais.

Agora vou embora, a pé — graças a Deus!, enquanto ainda faz um belo dia no Rio de Janeiro. Inté!

Jan 23

Mais cantoria!: 

Karaoke da Gapso no BigBenMais cantoria!:

Karaoke da Gapso no BigBen

First things first

Vim morar no Rio de Janeiro no dia 4 de dezembro de 2009, há pouco mais de um mês. Tendo nascido em Florianópolis-SC, por não mais que uma fortuita viagem de minha mãe, fui criado em Santos-SP até os 18 anos, quando, passando no vestibular da Unicamp, lá fui estudar. Passei quase 10 anos em Campinas-SP.

Culturalmente, tiro uma média e considero-me paulistano. Sim, daqueles que falam meu, “endos” com sotaque característico, S sibilante (nem palatar, nem chiante, ao contrário dos meus quasi-conterrâneos de Santos e de meus vizinhos do Rio) e R vibrante. Sou mais bar que praia, concerto que balada, museu que carnaval, ou seja, um chato incorrigível e velho de nascença.

Mesmo assim, não sei como, me apaixonei pelo Rio a primeira vez que aqui estive. No processo de postagem deste blogue, capaz que descubra, aos poucos, as razões.

Vim morar no Rio, já disse, e tive certas expectativas frustradas, e por isso o nome do blogue não tem espaço. Eu fiz uma imagem de um “paulistano Rio” e, não duvido, há coisas que a cidade maravilhosa pode aprender com a “que não pode parar”.

Minhas frustrações e maravilhas aparecerão, pouco a pouco, neste espaço. Compreender e ser compreendido será o grande presente que receberei se lograr sucesso.

Eu, na Confeitaria Colombo, paulista no Rio.

Eu, na Confeitaria Colombo, paulista no Rio.