PAULISTANORIO
Metrô II - Rio x São Paulo

Moro no Rio, vim de São Paulo. Lá, os trens suburbanos, no horário de rush, tem intervalo entre trens de 4 minutos (menos que os 6 daqui do metrô). O Metrô, nas linhas de maior movimento, tem intervalo de 90 segundos. A integração entre metrô e trens suburbanos é fácil e gratuita. As integrações entre as linhas de metrô não são perfeitas, mas são adequadas. A linha 4, que gerará uma integração necessária e importantíssima com uma linha da CPTM, e um corte de caminho fenomenal para quem vai para a Paulista, fica pronta este ano, a linha 6 começa a ser construída este ano, fica pronta em 2014. Até lá, no Rio, só teremos de novo a estação Uruguai (que, aliás, está quase pronta).

O governo de São Paulo, que com muito sucesso privatizou empresas e concessionou rodovias (com pedágios excessivamente caros, é fato), mantém o Metrô e a CPTM (companhia de trens) como estatais. Não sei se são de capital misto ou não, mas são estatais.

Mas por que isso funciona?

O governo do estado de São Paulo se “estabilizou”. Temos um mesmo partido (apesar de grupos distintos) governando o estado há 15 anos (Covas assumiu em 1995, faleceu em 2001 dando lugar a Geraldo Alckmin que, reeleito em 2002, passou a faixa pra Serra em 2007 e, provavelmente, recebê-la-á de volta em 2011). O mesmo partido estando no poder, e sabendo que não o perderá fácil, consegue fazer planos de longo prazo, como o Metrô e o Rodoanel — é claro, agendando inaugurações importantes a cada 4 anos, justamente nos anos eleitorais.

Projetos de fôlego, demorados, são a última coisa que os governantes querem. Não dá para mostrar resultado, não ganha eleição. São Paulo é a exceção por causa dos resultados eleitorais assaz previsíveis naquelas plagas. No Brasil, tirando esse caso, e outros semelhantes de governos longos e “garantidos”, como os governos militares (que, apesar de despóticos e antidemocráticos, eram movidos por um verdadeiro amor à Pátria) e Vargas (nosso caudilho latinoamericano, melhor que os outros, mas ainda assim ditador), apenas meu ídolo político, Carlos Lacerda agiu de outra forma.

Mas o engraçado é que os governos democráticos quase nunca fazem essas coisas direito. Eu fiquei assustado, assoberbado, com o projeto da Estação Carioca. Que coisa fantástica! Foi jogado fora metade, o que faz com que ele se torne um elefante branco. Mas não é porque são democráticos, mas pelo contrário: são demagógicos. A próxima eleição é mais importante que o dever cívico para o qual foram eleitos.

Pensamos então que a privatização, ou concessão, possa mudar essa lógica. A concessionária quer aumentar seus lucros e, para isso, tem todo o interesse em aumentar a qualidade e a extensão do serviço: isso lhe daria mais passageiros, mais faturamento: mais lucro. Mas a simbiose entre poderes públicos e certas empresas é tão grande que uma entra na lógica da outra. Governos pensam nos lucros, empresas pensam na demagogia. É a sua parceria nefasta. Como diz o Reinaldo Azevedo: nas democracias, os negócios são feitos segundo as leis; no Brasil, as leis se fazem segundo os negócios.

Antes que eu me esqueça: tem uma estação de metrô do lado da minha casa. Pronta. Só falta decorar e construir o acesso, coisa que se faz em 6 meses. Está fechada e sem planos de abertura.

E la nave và. Mas o metrô, não.

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